Do blogue: Valores da Beira alta
do amigo Dr. António Canotilho
Domingo, 13 de Novembro de 2011
Arquivado em: simpatia e maturação cívica
Do blogue do amigo jairCLopes
Do blogue do amigo jairCLopes
QUARTA-FEIRA, 5 DE OUTUBRO DE 2011
Algarismos e relógios
Por volta de oito mil anos antes de Cristo surgiu na Babilônia a prática de usar pequenas placas de barro com marcas para se referir a objetos. Esses símbolos registravam principalmente número de coisas a serem compradas e vendidas como carneiros, cerâmicas e peles. Peças de barro diferentes se referiam a diferentes objetos ou quantidade de objetoscontabilizados. Foi o nascimento do que chamamos de números.
No quarto milênio aC, na Suméria, região que faz parte do hoje vilipendiado Iraque, esse sistema simbólico evoluiu para a escrita em que um graveto pontudo era pressionado no barro úmido, A primeira representação dos números era em forma de círculos ou das unhas dos dedos. Por volta de 2700 aC, o marcador tinha a ponta achatada e as marcações pareciam pegadas de pássaros, com marcas diferentes representando números diferentes. Essa escrita, chamada cuneiforme, marcou o começo de uma longa história dos sistemas de escrita ocidentais. É interessante pensar que o início do que viria a se chamar literatura foi uma mera consequência residual da notação numérica inventada pelos mercadores mesopotâmicos.
Na escrita cuneiforme só havia símbolos para 1, 10, 60 e 3600, o que significa que o sistema era um mix de base 60 com base 10. Dá para notar alguma semelhança com nosso sistema de marcação de tempo? Com nossos relógios que marcam minutos e segundo na base 60, mas os dividem em 10 e submúltiplos? A razão para os sumérios agruparem os números em múltiplos de 60 já foi descrita como um dos maiores mistérios não resolvidos da história da aritmética.
Os babilônios que fizeram grandes avanços em matemática, astronomia e astrologia (inventaram o Horóscopo Planetário do qual falarei em outro texto), adotaram a base sexagesimal suméria, e depois os egípcios, seguidos pelos gregos, basearam seus métodos de medida do tempo no método babilônico – razão para nossos relógios dividirem a hora e os minutos em 60 unidades. Estamos tão acostumados a medir o tempo na base 60 que normalmente não questionamos esse fato, embora seja algo não explicado.
Contudo, a França depois da revolução, queria passar a limpo tudo que via como incoerências do sistema adotado até então. Quando a Convenção Nacional, em 1793, introduziu o sistema métrico para pesos e medidas, tentou-se colocar o tempo dentro do sistema decimal também. Assim, um decreto estabeleceu que os dias seriam divididos em 10 horas, cada hora em 100 minutos, cada minuto teria 100 segundos. O horário decimal tornou-se obrigatório em 1794, e nos relógios fabricados na época as horas iam até 10. Mas o novo sistema não foi assimilado pela população e foi abandonado depois de seis meses. Na verdade, os relógios que foram fabricados naquela época são verdadeiras raridades cobiçadas pela tribo dos colecionadores, na qual me incluo.
Mas, recentemente, em 1998, o conglomerado suíço Swatch lançou o relógio Swatch Internet Time, que divide o dia em mil partes chamadas “beats”. Eles venderam os relógios que mostravam uma “visão revolucionária do tempo” por mais ou menos um ano antes de, constrangidos, retirarem o produto do mercado diante do fiasco de vendas. Nossa mente está sexagesimada demais quando se refere ao tempo, não há como desprogramá-la num estalar de dedos.
Trabalhei algum tempo numa empresa de taxi aéreo em Curitiba, onde a marcação de tempo nos relatórios de voo se fazia na base decimal. As horas eram divididas em 100 minutos e assim eram registradas. Confesso que, no começo, além de parecer idiossincrasia ociosa da empresa, tive certa dificuldade em “desprogramar-me” do sistema sexagesimal, transformar cada fração de seis minutos em dez minutos me confundia um pouco. Depois, passou a parecer natural uma marcação decimal tão mais divisível e multiplicável para atribuir valores em dinheiro pelas horas voadas.
Quanto à marcação numérica dos primeiros mostradores, o uso de algarismos romanos foi a opção preferencial porque conferia certo charme aos relógios. Normalmente era usada a notação usual dos numerais romanos: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI e XII. Contudo, a marcação da quarta hora passou a ser IIII em consequência de um acidente ferroviário na Inglaterra no século dezenove. Consta que o encarregado de uma estação confundiu o VI com o IV e informou através de telégrafo, como era costume, o horário errado que o trem deveria sair. Em sentido contrário foi despachado outra composição pela mesma linha supondo que, pelo horário informado, o comboio só sairia duas horas depois, foi uma colisão frontal que resultou em dezenas de mortos e feridos. As autoridades inglesas resolveram então mudar os mostradores para evitar nova confusão, assim, até hoje ainda temos relógios com marcação IIII ao invés de IV para informar a quarta hora.
De qualquer forma, com ou sem números romanos, os relógios são mecanismos que cativam os seres humanos desde sua invenção, atribuída ao arcebispo de Verona chamado Pacífico no ano 850 de nossa era. Confesso que sou fascinado por relógios mecânicos, os coleciono e agora estou à procura de alguns exóticos como relógios de mecanismo totalmente de madeira. Algarismos e relógios são uma combinação irresistível. JAIR, Floripa, 01/08/11.
No quarto milênio aC, na Suméria, região que faz parte do hoje vilipendiado Iraque, esse sistema simbólico evoluiu para a escrita em que um graveto pontudo era pressionado no barro úmido, A primeira representação dos números era em forma de círculos ou das unhas dos dedos. Por volta de 2700 aC, o marcador tinha a ponta achatada e as marcações pareciam pegadas de pássaros, com marcas diferentes representando números diferentes. Essa escrita, chamada cuneiforme, marcou o começo de uma longa história dos sistemas de escrita ocidentais. É interessante pensar que o início do que viria a se chamar literatura foi uma mera consequência residual da notação numérica inventada pelos mercadores mesopotâmicos.
Na escrita cuneiforme só havia símbolos para 1, 10, 60 e 3600, o que significa que o sistema era um mix de base 60 com base 10. Dá para notar alguma semelhança com nosso sistema de marcação de tempo? Com nossos relógios que marcam minutos e segundo na base 60, mas os dividem em 10 e submúltiplos? A razão para os sumérios agruparem os números em múltiplos de 60 já foi descrita como um dos maiores mistérios não resolvidos da história da aritmética.
Os babilônios que fizeram grandes avanços em matemática, astronomia e astrologia (inventaram o Horóscopo Planetário do qual falarei em outro texto), adotaram a base sexagesimal suméria, e depois os egípcios, seguidos pelos gregos, basearam seus métodos de medida do tempo no método babilônico – razão para nossos relógios dividirem a hora e os minutos em 60 unidades. Estamos tão acostumados a medir o tempo na base 60 que normalmente não questionamos esse fato, embora seja algo não explicado.
Contudo, a França depois da revolução, queria passar a limpo tudo que via como incoerências do sistema adotado até então. Quando a Convenção Nacional, em 1793, introduziu o sistema métrico para pesos e medidas, tentou-se colocar o tempo dentro do sistema decimal também. Assim, um decreto estabeleceu que os dias seriam divididos em 10 horas, cada hora em 100 minutos, cada minuto teria 100 segundos. O horário decimal tornou-se obrigatório em 1794, e nos relógios fabricados na época as horas iam até 10. Mas o novo sistema não foi assimilado pela população e foi abandonado depois de seis meses. Na verdade, os relógios que foram fabricados naquela época são verdadeiras raridades cobiçadas pela tribo dos colecionadores, na qual me incluo.
Mas, recentemente, em 1998, o conglomerado suíço Swatch lançou o relógio Swatch Internet Time, que divide o dia em mil partes chamadas “beats”. Eles venderam os relógios que mostravam uma “visão revolucionária do tempo” por mais ou menos um ano antes de, constrangidos, retirarem o produto do mercado diante do fiasco de vendas. Nossa mente está sexagesimada demais quando se refere ao tempo, não há como desprogramá-la num estalar de dedos.
Trabalhei algum tempo numa empresa de taxi aéreo em Curitiba, onde a marcação de tempo nos relatórios de voo se fazia na base decimal. As horas eram divididas em 100 minutos e assim eram registradas. Confesso que, no começo, além de parecer idiossincrasia ociosa da empresa, tive certa dificuldade em “desprogramar-me” do sistema sexagesimal, transformar cada fração de seis minutos em dez minutos me confundia um pouco. Depois, passou a parecer natural uma marcação decimal tão mais divisível e multiplicável para atribuir valores em dinheiro pelas horas voadas.
Quanto à marcação numérica dos primeiros mostradores, o uso de algarismos romanos foi a opção preferencial porque conferia certo charme aos relógios. Normalmente era usada a notação usual dos numerais romanos: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI e XII. Contudo, a marcação da quarta hora passou a ser IIII em consequência de um acidente ferroviário na Inglaterra no século dezenove. Consta que o encarregado de uma estação confundiu o VI com o IV e informou através de telégrafo, como era costume, o horário errado que o trem deveria sair. Em sentido contrário foi despachado outra composição pela mesma linha supondo que, pelo horário informado, o comboio só sairia duas horas depois, foi uma colisão frontal que resultou em dezenas de mortos e feridos. As autoridades inglesas resolveram então mudar os mostradores para evitar nova confusão, assim, até hoje ainda temos relógios com marcação IIII ao invés de IV para informar a quarta hora.
De qualquer forma, com ou sem números romanos, os relógios são mecanismos que cativam os seres humanos desde sua invenção, atribuída ao arcebispo de Verona chamado Pacífico no ano 850 de nossa era. Confesso que sou fascinado por relógios mecânicos, os coleciono e agora estou à procura de alguns exóticos como relógios de mecanismo totalmente de madeira. Algarismos e relógios são uma combinação irresistível. JAIR, Floripa, 01/08/11.
Postado por JAIRCLOPES
para conhecer este autor, visite o seu excelente blogue recheado de textos fantasticos, a dificuldade é apenas escolher...
Coisas boas
Do Blogue pequenos detalhes
da amiga maria joão
Coisas boas
Adélia revolvia a vida por dentro e por fora num frenesim de força e vontade que contagiava tudo e todos.
Era um tempo difícil. Trabalhava longe, em casa das Senhoras ricas, às vezes levava também a filha pela mão e percorria ruas e vielas como quem passa de um mundo para o outro. Para trás já tinha ficado a janta pronta, as camas feitas, a roupa estendida e outra de molho em sabonária para ser lavada à noitinha.
Naquele passo certo e corrido, Maria, a menina, era levada quase a reboque.
- Porque não vamos de camioneta mãe? - Perguntava ela, sentindo ao fim de poucos metros o cansaço nas pernas franzinas.
Adélia ás vezes sentia-se angustiada por sujeitar a filha àquele esforço, mas o que podia fazer? Não conseguia esconder-lhe a realidade, embora sonhasse com um futuro melhor e além do mais, era preciso ensinar Maria a enfrentar qualquer adversidade sem grandes lamúrias e lamentações.
– Para irmos de camioneta gastamos quatro escudos por dia e é preciso poupar filha! Vais ver que chegamos num instante e depois vais ter todo o dia para descansar.Os quatro anos de Maria, faziam com que não pensasse noutra verdade para além daquela que a mãe lhe dizia, agarrava-se a ela com a mesma força com que segurava a sua mão e juntas atravessavam a vida.
Naquele passo certo e corrido, Maria, a menina, era levada quase a reboque.
- Porque não vamos de camioneta mãe? - Perguntava ela, sentindo ao fim de poucos metros o cansaço nas pernas franzinas.
Adélia ás vezes sentia-se angustiada por sujeitar a filha àquele esforço, mas o que podia fazer? Não conseguia esconder-lhe a realidade, embora sonhasse com um futuro melhor e além do mais, era preciso ensinar Maria a enfrentar qualquer adversidade sem grandes lamúrias e lamentações.
– Para irmos de camioneta gastamos quatro escudos por dia e é preciso poupar filha! Vais ver que chegamos num instante e depois vais ter todo o dia para descansar.Os quatro anos de Maria, faziam com que não pensasse noutra verdade para além daquela que a mãe lhe dizia, agarrava-se a ela com a mesma força com que segurava a sua mão e juntas atravessavam a vida.
De todas, a mais bonita era a casa da D. Mimi. Ficava num 8º andar de um edifício tão alto que quase arranhava o céu. Tudo brilhava naquele luxuoso apartamento; os móveis de madeira exótica, o chão encerado e lustroso com carpetes bonitas, cortinados e reposteiros de tecidos nobres e cores sóbrias, pratas e porcelanas dispostas numa decoração requintada. Na cozinha, espaçosa e arejada, os tachos e panelas luziam pendurados e pairava no ar um aroma doce que se misturava depois com o cheirinho do café que Adélia fazia para os Senhores, mal chegava. Quando as meninas se levantavam, a mesa da sala já estava magestosamente pronta para o pequeno almoço. A Senhora já tinha dado as ordens para a refeição seguinte que deveria ser servida à uma hora em ponto, isto depois de Adélia se desfazer em agradecimentos e desculpas por ter tido a permissão, mais uma vez, de levar a filha consigo, assegurando que ela não perturbaria nem os seus afazeres e muito menos a vivência dos donos da casa.
Maria interiorizava com atenção todas as conversas, jeitos e gestos, sentada a um canto da cozinha, num banco de madeira pintada. Nervosamente, ou porque a imponente figura da D. Mimi a intimidasse, ou porque assumia a postura formal e servil da mãe, ela esticava a saia de xadrez pregueada para que lhe cobrisse os joelhos, tal qual lhe recomendava sempre o pai.
Depois era o reboliço. Era a dona da casa que tocava na sala o sininho, dando sinal para que Adélia comparecesse sem demoras. Era o Senhor General, que Maria apenas conhecia pelo som austero da voz, que dizia: “ Tenha modos Nônô!” ou “ Fifi, a menina ainda não lavou os dentes?”. Era a menina Nônô, a mais pequenina, que vinha à cozinha pedir à Adélia que lavasse o vestido da boneca ou lhe fizesse o totó e olhava curiosa para Maria, dizendo-lhe simplesmente “ Olá”.
Ao fim de algum tempo, a calma e o silêncio iam regressando ao ritmo da porta da casa que se abria e fechava até todos terem saído.
Maria interiorizava com atenção todas as conversas, jeitos e gestos, sentada a um canto da cozinha, num banco de madeira pintada. Nervosamente, ou porque a imponente figura da D. Mimi a intimidasse, ou porque assumia a postura formal e servil da mãe, ela esticava a saia de xadrez pregueada para que lhe cobrisse os joelhos, tal qual lhe recomendava sempre o pai.
Depois era o reboliço. Era a dona da casa que tocava na sala o sininho, dando sinal para que Adélia comparecesse sem demoras. Era o Senhor General, que Maria apenas conhecia pelo som austero da voz, que dizia: “ Tenha modos Nônô!” ou “ Fifi, a menina ainda não lavou os dentes?”. Era a menina Nônô, a mais pequenina, que vinha à cozinha pedir à Adélia que lavasse o vestido da boneca ou lhe fizesse o totó e olhava curiosa para Maria, dizendo-lhe simplesmente “ Olá”.
Ao fim de algum tempo, a calma e o silêncio iam regressando ao ritmo da porta da casa que se abria e fechava até todos terem saído.
Ficavam depois só as duas, mãe e filha, naquele que era para Maria um palácio e para Adélia uma casa de muito trabalho. Depois de saborearem um delicioso café, feito com as borras já coadas do café anterior, Adélia começava a labuta; limpava, arrumava, lavava, esfregava, polia, estendia, passava e cozinhava com a mestria do saber fazer que dez dos seus vinte anos de vida, lhe haviam ensinado enquanto servia em casa de Senhores.
Maria, sempre de volta da mãe, aprendia com ela os gestos mágicos que transformam as casas em portos seguros, asseados e confortáveis.
Maria, sempre de volta da mãe, aprendia com ela os gestos mágicos que transformam as casas em portos seguros, asseados e confortáveis.
Só havia um sítio onde ela se perdia como criança; o quarto das meninas. Tudo era tão lindo! A colcha rosa fofinha que cobria a cama pintada de côr branco-pérola . O abajur do candeeiro que era afinal o guarda-sol da boneca que agarrada a ele pendia do tecto. A caixinha de musica com a bailarina em pontas que ela fazia rodar dando-lhe corda, atrevidamente, assim que a mãe se distraía. E as bonecas, tantas bonecas. Grandes e pequenas, como ela nunca vira senão ali. Adélia deixava-a sempre mexer nelas, tocar-lhe nos cabelos, ajeitar-lhes os vestidos. Sabia que existia uma infância roubada no olhar da filha e que aquele era um dos poucos momentos que permitia o seu reencontro. Apesar de saber que Maria tinha todo o cuidado do mundo, repetia sempre o mesmo aviso, com a firmeza das coisas inquestionáveis:
- Volta depois a pôr a boneca no sítio e não estragues nada!Voltavam depois à cozinha e era hora de preparar o almoço. Pouco depois regressavam todos e também o reboliço e o som do sininho, com a Adélia a colocar o avental branco bordado para se apresentar prontamente à chamada. Ah! E no banquinho de madeira, lá ficava novamente a Maria sentada, à espera que se fizesse novamente silêncio.
Almoçavam na cozinha o delicioso repasto das sobras da refeição dos Senhores que eram devolvidas nas travessas, ás quais se juntava por vezes um pouco mais, que de tanta fartura, havia ficado no tacho.
À hora da sesta, Adélia estendia uma saca de serapilheira limpinha no chão da marquise. Maria adormecia ainda a sentir o beijo e a carícia da mãe, a ouvir o tilintar dos pratos e copos que ela lavava e a pensar na manhã, cheia de coisas boas que tinha vivido.
Almoçavam na cozinha o delicioso repasto das sobras da refeição dos Senhores que eram devolvidas nas travessas, ás quais se juntava por vezes um pouco mais, que de tanta fartura, havia ficado no tacho.
À hora da sesta, Adélia estendia uma saca de serapilheira limpinha no chão da marquise. Maria adormecia ainda a sentir o beijo e a carícia da mãe, a ouvir o tilintar dos pratos e copos que ela lavava e a pensar na manhã, cheia de coisas boas que tinha vivido.
Por onde caminham nossos pés?
DO BLOGUE CANTEIROS
DA AMIGA REGINA COELI CARVALHO
Por onde caminham nossos pés?
6ª feira por volta das 18h atravesso o Largo do Machado e ouço ao longe alguém cantando “Borbulhas de Amor”. Procuro de onde vem àquela voz e, surpresa, descubro o Carlos Rogério.
Paro admirada e espero o término da música, compro um CD e lhe pergunto se posso voltar no sábado para o fotografar para o blog e divulgar seu trabalho. Ele sorri, diz que sim, nos despedimos e volto para casa com mais uma lição de vida. Sigo pensando por onde caminham nossos pés.
Sábado, levei Clara a tiracolo para fotografar o Carlos. Ele contou-me um pouco de sua vida.
É natural do Espírito Santo, chegou ao Rio de Janeiro na década de 70 e começou a gravar seus CDs em 1990.
Costuma se apresentar no Calçadão de Campo Grande, na Praça Saens Pena, no Largo da Carioca e no Largo do Machado.
Enquanto conversamos, Clara o fotografava - e as pessoas paravam para o ouvir e admirar sua destreza em autografar seus CDs com os pés.
Carlos Rogério Rocha, além de bom cantor, é um exemplo de persistência, dignidade, alto astral e superação.
Percebo sua cadeira de rodas um tanto gasta e ele me conta que foi produzida por ele para transportar seu equipamento musical.
Trocou as rodas originais por rodas de moto para suportar o peso, soldou com os pés as placas onde acondiciona os CDs, o alto-falante e mais sua bagagem.
Seus pés me conduziram a uma viagem para o meu interior. Por onde tenho caminhado? Como uso meus pés? Pisam com delicadeza? Superam obstáculos?
Algumas perguntas ainda sem respostas. Somente uma certeza; pés podem ser poéticos, como são os pés do Carlos Rogério.
Como ele não tem acesso à internet, prometi que iria imprimir a postagem e levar juntamente com as fotos para presenteá-lo.
Se você quiser o ouvir cantar e adquirir seu CD, seu telefone de contato é (21) 93159137.
22 de Maio de 2011
Paro admirada e espero o término da música, compro um CD e lhe pergunto se posso voltar no sábado para o fotografar para o blog e divulgar seu trabalho. Ele sorri, diz que sim, nos despedimos e volto para casa com mais uma lição de vida. Sigo pensando por onde caminham nossos pés.
Sábado, levei Clara a tiracolo para fotografar o Carlos. Ele contou-me um pouco de sua vida.
É natural do Espírito Santo, chegou ao Rio de Janeiro na década de 70 e começou a gravar seus CDs em 1990.
Costuma se apresentar no Calçadão de Campo Grande, na Praça Saens Pena, no Largo da Carioca e no Largo do Machado.
Enquanto conversamos, Clara o fotografava - e as pessoas paravam para o ouvir e admirar sua destreza em autografar seus CDs com os pés.
Carlos Rogério Rocha, além de bom cantor, é um exemplo de persistência, dignidade, alto astral e superação.
Percebo sua cadeira de rodas um tanto gasta e ele me conta que foi produzida por ele para transportar seu equipamento musical.
Trocou as rodas originais por rodas de moto para suportar o peso, soldou com os pés as placas onde acondiciona os CDs, o alto-falante e mais sua bagagem.
Seus pés me conduziram a uma viagem para o meu interior. Por onde tenho caminhado? Como uso meus pés? Pisam com delicadeza? Superam obstáculos?
Algumas perguntas ainda sem respostas. Somente uma certeza; pés podem ser poéticos, como são os pés do Carlos Rogério.
Como ele não tem acesso à internet, prometi que iria imprimir a postagem e levar juntamente com as fotos para presenteá-lo.
Se você quiser o ouvir cantar e adquirir seu CD, seu telefone de contato é (21) 93159137.
22 de Maio de 2011















